Minha Morte

 





    As cinzentas paredes do meu coração já são incapazes de sentir qualquer coisa. Eu a observo e já sei o que quer. Não pensei que meu tempo fosse ser tão curto, meus demônios criaram a ilusão de que eu duraria mais. Minha vida foi melhor do que eu esperava que fosse. Ainda assim eu precisava me despedir. Peguei uma folha de papel e comecei a escrever.

    “Lucy, por favor, não se culpe, você não foi a causa do que aconteceu. Tenho o pressentimento de que tudo isso vai melhorar. Sei que houve diversos momentos em que eu dei a entender que você que tinha causado essa minha doença mas não posso confirmar isso, o ódio que eu acumulei durante toda a minha vida começou a se dissipar a partir daqueles ataques. Peço-lhe que me perdoe, minha filha, saiba que eu sempre te amei e que vou continuar te amando eternamente.”

    Após escrever a carta eu olho para a porta do quarto. Aquela mulher estava mais próxima. Eu não sabia dizer se estava enlouquecendo ou se aquilo realmente estava acontecendo. Me aproximei dela e um sentimento de tormenta tomou conta de meu corpo. Minha vida estava em seu fim. Ela decidiu me acompanhar até o local onde ocorreria o ato. A corda já estava pronta. Eu subi e apoiei meu pescoço, cheguei a cogitar a chance de desistir, mas simplesmente joguei fora aquela ideia e decidi pular da cadeira. Houve apenas um estalo. Meu pescoço foi destroncado. Eu morri. Mesmo com as minhas crenças de que meu sofrimento acabaria, cerca de um segundo antes de morrer eu percebi que isso não aconteceria, mas já não havia mais tempo. Agora eu vivo a eternidade em um mundo vazio como uma alma amarga e solitária, pensando em como seria se não tivesse feito o que fiz.




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